Chárol, causa indígena e a gênesis da Drops

Como um chá que nasceu por acaso, um projeto editorial, uma causa social e uma ideia sobre consumo convergiram para criar a Social Drops.

Chárol: O experimento que acabou ajudando a fundação da Social Drops

Diferente de histórias de origem carregadas de técnicas de storytelling, jornada do herói e marketês dos produtos que existem por aí, o Chárol foge disso e nasce por acaso ao estilo de uma tempestade perfeita.

Começou com um chá carregado de ervas para aliviar uma insônia em uma noite difícil de fim de semestre escolar, virou assunto entre amigos e familiares, foi batizado a partir de um apelido sem nenhum trabalho de naming ou branding e transformou-se no primeiro experimento prático daquilo que viria a se tornar a Social Drops. Mas diferente do que as publicidades gostam de divulgar, o projeto piloto foi caótico, cheio de erros, acertos e aprendizados, não aquela imagem de “produto perfeito” que nos vendem em todos os lados, mas superadas as adversidades, o sucesso foi alcançado, o impacto social foi gerado e agora ele está de volta em uma segunda edição.

Hoje, o Chárol evoluiu para um blend artesanal de ervas, flores e frutas pensado para transformar o preparo de uma infusão em um pequeno ritual de desaceleração e respiro. Mas para entender o que ele se tornou, é preciso voltar no tempo, para onde tudo começou.

O Chárol segunda edição

Essa segunda edição do Chárol nasce de todo aprendizado e experiência adquiridos com o experimento piloto.

A receita foi aprimorada, suavizada e reformulada para criar uma experiência mais equilibrada e agradável aos sentidos, mantendo a essência que tornou o Chárol especial desde o início: ser uma infusão que proporciona um momento de respiro, relaxamento e desaceleração do nosso dia agitado, suave com você e intenso em seu objetivo de gerar impacto social positivo.

O Chárol é feito a partir da harmonização de sete ingredientes:

  1. Camomila;
  2. Capim-cidreira (também conhecido como capim-limão ou capim-santo);
  3. Maçã;
  4. Erva-doce;
  5. Folhas de maracujá;
  6. Maracujá;
  7. Lavanda.

Sendo um produto 100% natural e artesanal, pequenas variações na proporção visual dos ingredientes podem acontecer de uma porção para outra, sem perdas em relação à experiência proporcionada.

É um chá para ser preparado sem pressa, uma pequena interrupção como um sinal de que esteja na hora de deixar o dia terminar e dar boas-vindas a um sono reparador.

Mas ser um chá premium que proporciona uma experiência agradável não é o que define o Chárol. Ele vai além como um produto único.

Como tudo começou

A história tem início antes do produto e da Drops.

Tudo começou com um experimento que surgiu de uma dessas oportunidades que a vida nos coloca sem sabermos direito sobre o que se trata.

Após mais de um ano envolvidos em estudos, pesquisa e fotografia de comunidades e povos indígenas para o projeto editorial do livro Guardiões da Floresta de Carolina Micheluci Garçon, nós, Carol e eu, Rapha, construímos uma grande amizade com o Pajé Karai Tataendy, o “Serginho” e a comunidade da Aldeia Guarani Rio Silveiras localizada na região da Boracéia, no litoral de São Paulo.

Em nosso trabalho para o livro, mergulhamos no universo e cosmologia indígenas e pudemos sentir na pele as dificuldades que os povos originários enfrentam diariamente. Dessa forma, nos propusemos a tentar ajudar o Serginho e sua comunidade sempre que conseguíssemos.

Estabelecemos uma rotina anual de doações periódicas angariadas, em uma espécie de mutirão envolvendo nossas famílias, amigos, igrejas, escolas e quem mais formos capazes de ativar ao longo do ano. Essa ajuda se mostrou importante, mas claramente insuficiente.

Em muitas conversas que tivemos com o Serginho, tivemos contato tanto com as necessidades materiais da comunidade quanto a presença de conhecimento ancestral sobre plantas e ervas medicinais, transmitido entre gerações e ainda utilizado diante de uma realidade marcada pela falta de assistência adequada.

Essa relação acabaria por se encontrar, depois de algum tempo, com outra história aparentemente sem relação alguma: a história de um chá em uma noite difícil de domingo.

O chá da Carol

Era fim de ano letivo. Para a Carol, que além de escritora é bibliotecária, esse período costuma ser um momento mais desgastante e intenso. Ela tentava encerrar as pendências na escola ao mesmo tempo em que precisava avançar na produção de seu livro, esforçando-se ao máximo, com o último gás que tinha, na esperança de que recuperaria-se durante as férias, mas estava temerosa, pois no passado havia chegado à esta época do ano com crise aguda de estafa e não queria se ver nessa situação novamente.

Numa noite de domingo, tarde da noite, Carol estava exausta, mas agitada e sem conseguir dormir. Me pediu então que preparasse um chá que pudesse ajudá-la a dormir bem e encarar as últimas semanas de aula. 

Na época, eu estava estudando sobre aromaterapia, ervas medicinais e fitoterapia e tinha uma quantidade pouco razoável de ervas diferentes à disposição. Peguei então uma dezena de ervas, combinando ervas para relaxamento do sistema nervoso e outras ervas que estava estudando, fiz o preparo e entreguei para ela. Sucesso! Ela dormiu feito criança e acordou sentindo-se renovada, capaz de superar aquele momento e chegar às férias sem intercorrências.

Até aí a história poderia ter tido seu fim aqui, mas a notícia sobre o chá “milagroso” da Carol se espalhou no trabalho dela, entre nossos amigos e familiares que pediam para experimentar. Fiz mais um pouco e demos para quem nos pedia e foi aí que a coisa ganhou corpo. Encantadas com os efeitos do chá, mas frustradas por ter acabado rapidamente, iniciou-se uma demanda das pessoas para que fornecesse mais chá da Carol. Era sempre a mesma coisa quando encontrávamos alguém “vocês não estão pensando em fazer mais chá da Crol?”, “acabou meu chá da Carol, tem mais?”, “nossa, eu adorei o chá da Carol”.

Em algum momento, depois de ouvir “chá da Carol” tantas vezes, minha irmã Daniela resolveu encurtar a história.

Chá…rol.

E assim, sem grandes brainstormings, estratégias de branding e naming ou apresentação de PowerPoint, estava batizado o tal chá.

Chárol.

Quando o Chárol e a Drops se cruzaram

Nessa mesma época eu já estava tentando estruturar um projeto voltado ao marketing social que envolvia consumo consciente e collabs, que viria ser o embrião da Social Drops, chamado de FEWW Drops.

FEWW misturava few, “pouco” em inglês, com Fire, Earth, Water e Wind – fogo, terra, água e vento (ar).

A ideia era similar à da Drops atual: trabalhar com produtos em pequena quantidade, exclusivos e diferentes em “drops” com colaboração e alguma forma concreta de impacto social derivado da venda dos produtos.

A essência da Social Drops já existia ali, mas faltava transformar teoria em prática. Precisava de um produto real, um drop com venda real, custos reais, clientes reais, impacto real e erros reais.

E é aí que ocorre a tempestade perfeita, a oportunidade que não podemos deixar passar, como um cavalo selado que só passa uma vez: transformar o Chárol em um drop tendo a aldeia Guarani Rio Silveiras como a causa-alvo. E foi isso que foi feito.

A primeira gota: o Drop Chárol

Dessa forma, confluindo tudo, o Chárol se tornava o primeiro drop da Drops, o projeto piloto, a primeira gota.

Nesse piloto, o objetivo não foi apenas ajudar a aldeia, mas inseri-la na cadeia produtiva com participação efetiva na geração de valor e dos resultados derivados do processo. Pedi ao Serginho que me fornecesse algumas ervas dele, ali da Mata Atlântica, como insumos para o chá, o que tornaria o Chárol algo ainda mais especial e único. 

E então resolvi fazer o que qualquer pessoa sensata aconselharia uma empresa que ainda nem testou seu modelo de negócio a não fazer: complicar tudo e mais um pouco, de todas as formas.

O Chárol piloto tinha uma fórmula extremamente complexa já que visava ser uma infusão de 16 ervas medicinais com efeito fitoterápico. Se isso não era complexo demais, o drop dele foi desenvolvido como um kit artesanal, artístico e colaborativo com a musa inspiradora que dava nome ao produto, a Carol.

A proposta seguia o chamado modelo ASAP – As Sustainable As Possible, ou “o mais sustentável possível”, onde tudo era produto, ou seja, embalagens e demais materiais foram pensados para não serem descartáveis, mas reutilizáveis para além de suas funções originais.

Até aí, tudo ótimo. Boas ideias, grande potencial e perfeitas no papel. Só que eu queria mais dor de cabeça e resolvi testar mais conceitos em um mesmo experimento, algo que não se faz e eu sabia disso, mas sou teimoso então…

Não bastava ser 1, precisavam ser 2 kits personalizados para dar mais “opções” às pessoas, ou seja, o dobro de problemas em uma escolha, de uma vez.

O kit básico levava o Chárol, uma caixa de MDF pequena personalizada, um tecido usado como uma espécie de furoshiki, certificado numerado, material contado a história do projeto e alguns brindes extras (adesivo, origami e balinhas).

Já o premium vinha em uma caixa maior incluindo uma ilustração artística, que eu produzi do unicórnio-fada (uma homenagem à Carol) que é o símbolo do Chárol, contendo um poema da Carol, uma xícara personalizada e outros elementos.

Era bonito, um produto digno de unboxing que qualquer pessoa gostaria de ter. Cheio de intenção, carinho, artesanal e extremamente exclusivo já que foram produzidos ao todo apenas 50 kits. Mas era operacionalmente muito mais complexo do que podia imaginar, ainda mais para uma empresa de um homem só.

Sucesso de vendas antes mesmo de sair do papel

Antes mesmo de produzir um único pouch de Chárol ou kit sequer como protótipo. Antes de tirar fotos do produto e antes mesmo de boa parte das decisões de produção, busca por fornecedores e precificação estarem fechadas, tudo já havia sido vendido! Um sucesso absoluto de vendas. Todos os kits foram vendidos em pré-venda apenas por boca a boca entre as pessoas próximas a nós. Depois ainda foram vendidos dez pouches extras, refis do kit, que havia sido produzido como margem.

Como validação de interesse e qualidade do produto, foi excelente, mas em termos de preparação empresarial, de negócio, nem tanto, pois passada a euforia das vendas veio a parte na qual descobri que ter um produto desejado e ter um negócio economicamente saudável são duas coisas distintas. Vender algo bom é fácil, mas entregar cumprindo a promessa ao mesmo tempo em que transforma isso em um negócio é bem mais complicado e eu senti isso na pele…

Alguns relatos sobre o Chárol

O sucesso, o caos e o resultado final: 0x0

Com as vendas feitas, começou o processo de produção e entrega, e aí o caos foi instaurado. Com a venda relâmpago não deu tempo para planejar direito o produto, cotar fornecedores, avaliar se o conceito por trás do drop fazia sentido em termos de negócio e se era aplicável na prática. E não era. Foi um pesadelo.

Um exemplo disso foi a embalagem. Inicialmente a ideia era ter uma caixa de papelão personalizada incrível, mas que para ser feita custaria praticamente o mesmo que o preço pelo qual o kit havia sido vendido. Descartada essa ideia, mas onde colocar tudo do kit que fosse uma caixa seguindo o ASAP? Foi aí que surgiu a ideia da caixa de MDF que acabou salvando o projeto mesmo sendo caras.

A xícara criou outro conjunto de problemas técnicos e financeiros, mas já não tinha como remover do kit, pois as pessoas compraram e esperavam receber uma xícara personalizada.

E não ficou só nisso. Vários daqueles elementos aparentemente pequenos e inofensivos individualmente começaram, ao serem somados, a revelar o verdadeiro custo da complexidade que havia sido criada e que só funcionava no papel.

Com improvisos, inventividade e genialidade para superar os vários desafios auto-impostos e contando com muita ajuda das nossas famílias e da Carol, no fim conseguimos produzir e entregar tudo de forma excepcional e que, eu não conseguia imaginar que seríamos capazes de fazer enquanto me vi soterrado de problemas e frustrações.

Todos que compraram receberam seus produtos e ficaram extremamente satisfeitos. O Chárol teve ótima aceitação, a comunidade do Rio Silveiras recebeu uma renda incremental que não existiria sem o projeto, tanto pela participação na cadeia quanto pela parcela destinada a ela. Sendo assim, o piloto foi um grande sucesso.

Exceto por um problema… A Drops não ganhou nenhum dinheiro com tudo isso. O projeto terminou praticamente em break-even, um 0x0, mas com sabor de vitória, pois o produto se pagou, o impacto aconteceu e os consumidores receberam aquilo que compraram e, assim, a tese por trás da Drops e do experimento foi validada mesmo que precisando de ajustes, correções e evolução para elevar o piloto a um modelo empresarial sustentável.

Aprendiazados do projeto piloto

Esse talvez tenha sido o resultado mais importante do primeiro Chárol, o aprendizado tirado de toda a experiência.

  1. Vender tudo não significa necessariamente ter um bom negócio;
  2. Um produto pode encantar o consumidor e ainda assim ser economicamente errado;
  3. Preço de venda, ainda mais no caso dos drops e da Drops com a questão social, precisa ser definido após estudos de viabilidade e com tempo para ajustes;
  4. Pequenos detalhes parecem irrelevantes sozinhos, mas somados podem definir os resultados;
  5. Sustentabilidade ambiental precisa alinhar-se à sustentabilidade econômica do negócio;
  6. A Drops não deve se tornar uma espécie de fábrica especializada improvisada para desenvolver os drops, mas sim dominar os aspectos estratégicos que envolvam o processo;
  7. Para a Drops atingir seu objetivo de se tornar um modelo de negócio alternativo, além de cumprir com seu propósito em termos de impacto social, precisa equalizar os aspectos econômicos de forma a se tornar sustentável e escalável;
  8. E principalmente que os problemas do primeiro Chárol não estavam naquilo que havia feito as pessoas quererem o produto, mas em como foi construído o negócio ao redor dele.

Era exatamente para isso que um projeto piloto deveria servir. O experimento funcionou mesmo dando errado.

O retorno do Chárol

Depois do projeto piloto, a pergunta continuou chegando: “Não vai mais ter Chárol?”. E eu precisei frustrar as pessoas, pois não tinha planos para trazer o produto de volta à vida e estava envolvido com outras questões de base para a construção da Drops como estudando sobre IA e cursando minha pós, pois senti que eu estava muito “cru” assim como toda a ideia por trás desse projeto. Precisava me aprimorar para que isso refletisse na empresa.

Hoje, mais amadurecidos, a Drops e eu respondemos essa pergunta com: “Sim, ele voltou!”. E essa segunda edição marca não apenas o retorno do Chárol, mas um novo capítulo da própria Social Drops que volta ao produto original aplicando os ensinamentos do piloto e marca o nascimento definitivo de um novo modelo de negócio, mais sustentável, social, justo e que enxerga no poder do coletivo a forma para construirmos um mundo melhor para todos, não só para poucos.

O Chárol segunda edição teve sua fórmula simplificada e melhorada. Retirou-se complexidades desnecessárias mesmo mantendo o aspecto artesanal, premium e exclusivo, preservando-se a essência: criar uma experiência agradável e relaxante para quem o consome e impacto positivo para além de quem o consome.

O primeiro Chárol ajudou a testar uma ideia que a segunda edição vem para começar a colocar em prática a partir dos aprendizados que foram conquistados.

Venda

Chárol Segunda Edição

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Causa Econômica

Segunda edição reformulada e melhorada do Chárol. Feito com 8 ervas para proporcionar uma sensação de relaxamento e uma experiência sensorial agradável. O Chárol é um produto de consumo de impacto...

O preço original era: R$ 67,00.O preço atual é: R$ 59,00.

A causa indígena: Aldeia Guarani do Rio Silveiras

Como dito ao longo dessa página, a relação com a causa indígena e as comunidades, em especial a Guarani do Rio Silveiras, precede o Chárol e vai além.

O Brasil possui uma enorme população indígena, cerca de pouco mais de 1.6 milhão de pessoas, de acordo com o IBGE, muito inferior aos 10 milhões espalhados por todo o nosso território à época da invasão portuguesa em 1500. População esta que, passados mais de 520 anos, ainda resiste à invasão estrangeira e continuam em guerra, não mais como nas primeiras centenas de anos, mas a partir de uma guerra estruturada na violência simbólica. Os indígenas enfrentam dificuldades relacionadas à preservação de seus territórios, manutenção de suas culturas e idioma, geração de renda, infraestrutura e acesso a diferentes formas de assistência.

Ao longo de todo o período estudando os povos indígenas, tornou-se evidente a situação de vulnerabilidade e descaso público em que se encontram, assim como toda a opressão e marginalização que sofrem além da ignorância e estereotipização que recebem por parte de nós, não-indígenas. 

Quanto mais próximas as comunidades estão das regiões urbanas, mais visível se torna a contradição difícil de ignorar. Eles estão perto de nós, mas continuam distantes dos recursos de que dispomos. A nossa Constituição ainda não chegou à essa parcela de nossa população.

No aspecto econômico, a geração de renda acontece de diversas formas inconstantes e imprevisíveis: pelo trabalho realizado fora da aldeia, pela comercialização de artesanato, pelas atividades oferecidas aos visitantes e também através de contribuições e doações.

No Rio Silveiras, o Serginho, Pajé e líder de uma das 5 comunidades da região, aplica seu conhecimento sobre ervas, plantas e práticas ancestrais de forma cotidiana ocupando o espaço deixado pelo poder público que não é capaz de garantir saúde como direito universal à estas pessoas, por exemplo.

Conversando com ele, pudemos constatar que as necessidades são profundas e vão além do aspecto econômico. Eles não conseguem mais viver exclusivamente da floresta como nós, falsamente, costumamos acreditar devido à poluição e à devastação da floresta somado à falta de recursos. Diariamente precisam realizar ronda pelo território recolhendo animais abatidos, por diversão, pelos moradores da região ao entorno ao ponto de, inspirados no livro da Carol, terem fundado o grupo Guardiões da Floresta com a função de realizar essa guarda com direito a um drone doado que auxilia na patrulha das matas. Mas o maior problema relatado foi o que envolve a saúde mental dos jovens indígenas que entram em uma crise existencial por conta das contradições e relação com a sociedade não-indígena com resultados devastadores: suícidio. Em uma das vezes que fomos à aldeia, o Serginho relatou 3 jovens abaixo dos 12 anos que, em duas semanas, haviam sido encontrados pendurados em árvores já sem vida.

Isso estabelece um quadro de carência extrema, tanto material quanto de algo que não nos atemos e que é de fundamental importância na existência de qualquer indivíduo, carência de humanidade. O indígena, infelizmente, ainda não é enxergado como igual, como um ser humano em nossa sociedade. Ao contrário, é estigmatizado e tratado como um bicho antropomorfizado, uma “atração exótica” que existe apenas como uma relíquia viva do passado, sem reconhecimento, sem valorização, sem direitos, sem garantias e “estranha”, digna de entreter nossa curiosidade, mas nada além.

Ao indígena, não basta caridade, doações, ajudas, pois a necessidade é basilar, é existencial, é a necessidade de pertencer e nós como sociedade brasileira, temos ainda uma estrada enorme para percorrer nessa direção.

O Chárol não resolve a questão indígena, mas tenta ser um passinho nessa caminhada.

Como o Chárol impacta essa causa

Como dito, o Chárol não tem pretensões de ser a solução para todos os problemas, mas tenta ser uma gotinha que pinga incansavelmente na pedra dura até furar.

Na primeira edição, a comunidade participou da cadeia produtiva e também recebeu uma pequena parte do resultado do projeto. Mas por todas as questões já mencionadas, não foi possível ir além.

Nessa segunda edição, o modelo evoluiu e com ele a própria Drops visando estabelecer um mecanismo de geração de valor maior, contínuo e sustentável ao longo do tempo e, sendo assim, cada unidade vendida do Chárol gera uma Contribuição para Impacto Social (CIS) de R$ 7,00 que será destinada à comunidade Guarani do Rio Silveiras, ou seja, quanto mais o Chárol for vendido, mais impacto social o drop irá gerar. Com a CIS, cria-se uma contribuição direta vinculada ao produto, o impacto é parte nativa do drop, não mais algo a ser avaliado após a venda.

Isso por si só já é excelente, mas não basta. A Drops quer ir além, quer romper paradigmas. Então o impacto do Chárol não termina aí. O modelo de negócio da Social Drops trabalha com o princípio da Socialização dos Lucros que se materializa por meio de seu mecanismo financeiro chamado de Participação Social dos Resultados (PSR). Isso significa que, havendo resultado econômico distribuível (lucros), uma porcentagem dele será destinada à sociedade.

No Chárol, portanto, existem duas camadas possíveis de impacto: a CIS associada diretamente às unidades vendidas e a PSR adicional proveniente dos resultados da própria Social Drops.

Sendo assim, o objetivo é simples. O Chárol precisa funcionar para você, quem compra, para a Aldeia do Rio Silveiras que recebe o impacto resultante da sua compra e para a Drops como um produto economicamente bem-sucedido.

O primeiro Chárol nasceu de uma noite de domingo em que a Carol precisava descansar. Depois, virou chá de amigos. Ganhou um apelido que virou marca. Virou um drop experimental chegando à casa de dezenas de pessoas. Gerou uma pequena renda extra para uma comunidade indígena, mas deu errado financeiramente para a empresa, o que obrigou uma revisão de quase tudo e acabou ajudando a construir algumas das ideias que hoje sustentam a Social Drops.

Essa segunda edição não busca esconder os erros passados nem apagar essa história, pois ela existe exatamente por causa dela. O Chárol voltou não apenas com uma nova fórmula, mas como a evolução e continuação do experimento sobre consumo e comércio de impacto, só que agora menos improvisado, mais planejado e consciente do que precisa ser feito, muito mais alinhado ao modelo de negócio que se quer construir com a Social Drops.

Uma pequena pausa no dia para quem deseja desacelerar. Uma pequena contribuição para quem precisa. Uma gota de transformação que conflui para transmutar o consumo de um motor de um sistema insustentável em um mecanismo de geração de valor e impacto social.

Chárol 2ª edição. Um drop Social Drops.

Poesia Elementos Drops

por Carolina Micheluci

Na confluência do AR

O sopro envolve

Absorve

Leva poeira ruim

Reza forte

A força de uma brisa

Energia espalha. Aroma positivo

Vento presente em mim

Suspiro, falta de ar

Arrepio

Me envolve no significado mágico do momento

Elemento

A ÁGUA imunda, em ondas

Na força, arrebentação 

Irriga o que falta, encharca

O líquido pulsa

Ferve e me ergue na energia

Ânimo

O alento da disposição

Submerjo. Exaustão

Sinto então a TERRA

Sua força viva

Ativa a vida

Umidade

Segurança do terreno firme

Posso pisar, calçar 

Ocre, terroso 

Arenoso que se move

Engole

Nas profundezas do meu íntimo

Espaço apertado 

Vasto do infinito

Respiro, puxo o ar

Escalo raízes, engulo sementes

Amplio a força que preciso para seguir

Então, quente

Latente, ferve em borbulhas de soluços

Cores fortes, aquecidas

Abafado, suor, calor

Escorre

Tempo picante que arde

FOGO latejante

Queima inflamado

Brilho intenso apagado ao pó

Cinza, escuro, frio

Sobras do intenso profundo

Agora, temperado, passado

Sopro lembranças no ar 

Não vou ser quem fui

Deixar ir

Para não reviver o novo ruim sem fim

Retorno cíclico ao elemento dependente da vida

Energia em movimento que não precisa de mim

Agora, completo, rudimentar na existência

Junção dos elementos principais

Essenciais. Individuais.

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